terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Despedida


Depois de muitos anos, decidi trocar de casa. Este blog agora será hospedado no Wordpress. Não tenho o que falar do Blogspot, que sustentou as paredes muito bem durante todo este tempo, mas a hora da mudança chegou.

Como há muita coisa por aqui, estou levando os tijolos aos poucos. Logo, logo termino a mudança. Os textos e as crônicas, no entato, já começam a ser postados lá.

Quero levar vocês comigo, as portas do www.claravanali.com.br já estão abertas.

Sem frescura, tirem os tênis e corram para lá.
Não precisa nem bater.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ano novo para jornalistas


Fim de ano tem um poder que nenhuma época do ano tem. Pensamos na vida e renovamos os planos como em nenhum outro momento.
Eu não posso falar por todos, mas vou dar algumas dicas para os jornalistas iniciantes que estão estão cheios de possibilidades para 2010.

Lembro de uma vez, no começo da faculdade, quando perguntei para um amigo que já estava terminando o curso: qual área você quer seguir, impresso, rádio, televisão, internet...? Ele respondeu: a área que me empregarem.

Isso faz sentido quando você entra no mercado de trabalho. A procura é grande, a oferta é concorrida. Às vezes dá para escolher, às vezes é preciso aguardar. De qualquer forma não faz mesmo sentido pensar em áreas. O principal objetivo é ser um bom jornalista.

Hoje eu já não vejo diferença entre os vídeos da TV e os da internet, por exemplo. Os primeiros podem até ter uma qualidade/definição melhor, mas a forma como se conta a história é a mesma. E este é o momento em que diversos sites jornalísiticos querem e vão investir em conteúdos multimídia.

E mesmo para quem quer trabalhar com reportagens em vídeo, exige-se um bom texto, com o português correto e raciocínio claro. Por isso, recomenda-se ao jornalista que jamais deixe de escrever e que antes de tudo ele seja bom com as palavras. Sair-se bem no vídeo exige-se vocação claro, mas mais do que isso, treino. O que naturalmente, se consegue com o tempo.

O mesmo vale para o rádio e para o impresso. Mais do que escolher onde trabalhar, seja um bom jornalista. Esteja disponível, principalmente no começo da carreira, para tudo. O importante é ter habilidade para divulgar um conteúdo de qualidade em diversas plataformas. Por isso, não se fixe em apenas uma, seja bom e tenha vontade de aprender a trabalhar com todas elas.

Com tempo, escolha temas de preferência (saúde, economia, política...) e depois se especialize em um ou mais deles.

Exercite a criatividade e seja um bom ouvinte. Não perca tempo, tenha sempre uma câmera fotográfica e gravador na bolsa. Você nunca sabe quando irá precisar.

Tenha uma boa agenda de contatos de papel ou eletrônica. Cultive esses contatos. Aprenda, estude e leia de tudo. Cuidar do jardim sempre abre mais possibilidades.

No mais, um pouquinho de paciência quando nada aparecer. Se você é apaixonado pelo o que faz e é um bom profissional, boas ideias e oportunidades irão aparecer. Tenha fé!

Aos jornalistas e não-jornalistas:
Feliz 2010 a todos, obrigada pela companhia em 2009 neste blog! Até queridos!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Blônica

Ei pessoal, já está no ar a minha crônica vencedora do Concurso do Blônicas, um site referência em crônicas. Comentem lá e matem a saudade da Maria Célia. É só clicar aqui.

domingo, 29 de novembro de 2009

Para a minha avó


Supermercados não são um bom lugar para chorar e, talvez eles nunca se tornem um ambiente apropriado para isso. Ultimamente, no entanto, eles me fazem ter vontade de soltar as lágrimas e deixá-las por lá.

Esses dias li uma entrevista com o Hebert Vianna em que ele dizia que a tristeza nos deixa mais sensíveis. Percebi que o Natal provoca o mesmo efeito. Ele nos faz mais sensíveis e às vezes até mais frágeis.

Já tem um ano que a minha avó faleceu, e o tempo parece não diminuir em nada a falta que ela faz aqui. Essa época do ano a traz tão presente que dá vontade de ligar para ela, só para ver se atende.

Natal era a minha avó. A época que ela mais gostava.

Ela adorava ir ao supermercado com minha mãe e irmãs para fazer a compra da ceia para depois passar a tarde toda preparando uma quantidade de comida muito maior do que todos nós poderíamos consumir.

E todo capricho era tão bom. A toalha, a mesa com as castanhas, a voz e a sua alegria.

Ir ao supermercado nesta época do ano é ver minha avó ali do lado, pegando o panetone e a caixa de uva-passas. É vê-la toda apressada para não esquecermos de nada, nenhum ingrediente da farofa, nem o abacaxi para comermos com o peru.

Supermercados não são feitos para chorar. Mas eles tem mexido tanto comigo, que quase me esqueço que ali, é apenas um espaço para se comprar.

Nesta época, mais do que qualquer outra, eu a quero aqui pertinho de mim para levar o carrinho pelos corredores comigo. Mas ela não vai.

De qualquer forma, quando eu penso que o mercado no Natal não tem o mesmo brilho sem ela, também me dou conta de que sou uma pessoa de muita sorte. Muita mesmo. Porque um dia, e por muitos dias, eu fui com ela até lá. E tive a felicidade de estar ao lado das suas compras e do seu amor.

E se tudo isso que fica tão à mostra no Natal, e me traz lembranças tão carinhosas da minha avó só pode ser muito bom.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Vertigem

Há muito tempo eu não sentia a palavra vertigem. O efeito de deitar e se levantar rapidamente causador de uma confusão mental não me enganava mais. Ao acordar de manhã, era preciso apenas diminuir o ritmo ao tirar os pés da cama para ela jamais conseguir se manifestar.

A vertigem é incômoda e nos tira um dos bens de qual temos mais orgulho: o controle. Ela gira, confunde, rouba a nossa expressão e norteia os movimentos. Ela é escura e não tem graça. A sua despedida só se faz ao fecharmos os olhos bem forte, para então, ao relaxarmos as pálpebras, sentirmos a insegurança causada pela sua passagem.

Há uma semana, fui à exposição dos artistas OsGemeos em São Paulo. Não gosto de sair sozinha, mas nesse dia achei que aproveitaria melhor sem alguém para influenciar os meus palpites. A fila de espera, que me fez quase desistir, não durou mais que trinta minutos na parte externa da FAAP. Orientada a deixar minha bolsa, caderno e máquina fotográfica em uma espécie de chapelaria, me vi livre e sem riscos de ouvir chamadas barulhentas do meu celular.

Ao entrar na sala onde estavam expostos os trabalhos, mirei o olhar no fundo do espaço e me deparei com ela. Acesa, colorida e radiante como se risse de mim. Um painel azul e vermelho de dimensões infinitas se apresentava trazendo a confusão que eu pensara não mais me deparar. Diferente da vertigem negra e controladora, no entanto, esta me fazia sorrir. Sendo assim, fui a sua direção não para enfrentá-la, mas para entendê-la.

A imagem vertiginosa, sem chão nem suporte, carregava alguns dos personagens característicos dos grafiteiros. Bonecos de aparência amarelada, olhos separados, narizes largos e com expressões que ora sugerem aventura, ora melancolia. Naquela situação, os desenhos também pareciam caçoar da minha curiosidade. Eles lá, flutuando na tela como se não houvesse melhor lugar para aproveitar e eu, tentando encontrar porque até então nenhuma vertigem havia me causado tão boa sensação.

A obra dos irmãos Gustavo e Otávio quebra regras. E fugir delas, nesse caso, funciona. O ambiente criado no piso térreo da universidade dialoga com os cantos espaçados, com o teto e com o estático das paredes. A conversa se faz com todas as instalações. Até mesmo com aquelas colocadas por eles, como portas, maçanetas, caixas de som e buzinas.

As histórias, contadas por meio dos traços, quando não refletem uma liberdade invejável, trazem referências de problemas mundiais pincelados com cores brasileiras. A mistura de membros humanos com os de animais, como peixes, pavões e patos, entretêm ao mesmo tempo em que nos pede menos arrogância: não somos tão racionais assim. E mesmo que o surrealismo das cenas e o vibrante das cores nos lembrem Bosch e Matisse, respectivamente, OsGemeos nos revelam a todo momento que aquilo, é só deles.

Os artistas não pedem nossa avaliação, eles proporcionam a experiência de apreciarmos um trabalho, em que metade fica por nossa conta. A exposição só é completa se deixarmos agir os sons e os movimentos do enredo criados apenas em nossa imaginação. Ao final, os trabalhos nos sugerem mudanças de percepções. A minha sobre a vertigem, foi uma delas. Agora, tenho mais prazer de estar com ela.